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Título: Hematoma periorbitario traumatico: manifestação inaugural rara de tuberculose disseminada
Autor: Santos, C
Cysneiros, T
Azevedo, R
Pina, S
Ramalho, M
Pedrosa, C
Ferreira, M
Teixeira, S
Palavras-chave: Hematoma periorbitário
Infecções dos tecidos moles
Tuberculose
Data: 2012
Editora: Sociedade Portuguesa de Oftalmologia
Citação: CONGRESSO PORTUGUÊS DE OFTALMOLOGIA, 55, Vilamoura, 6 a 8 de Dezembro de 2012
Resumo: Introdução: Apesar da disponibilidade de terapêutica eficaz, a tuberculose continua a ser uma causa importante de mortalidade e morbilidade. A Organização Mundial de Saúde estima que em 2010 tenham ocorrido mais de 8,8 milhões de novos casos. No mesmo ano, a taxa de incidência em Portugal foi de 29:100 000 habitantes, continuando a ser uma das mais elevadas na União Europeia [1]. Caso clínico: Criança de 5 anos de idade, sexo feminino, recorre ao Serviço de Urgência do nosso Hospital por tumefacção periorbitária direita, após traumatismo da cabeça 3 semanas antes. Aparentemente saudável, sem história de doenças anteriores. A tumefacção tornara-se evidente 2 dias após o traumatismo e foi aumentando progressivamente de volume. Apresentava flutuação e dor à palpação. Restante exame oftalmológico normal. TC orbitária compatível com colecção sero-hemática extra-cónica sem sinais de fractura pelo que se realizou drenagem cirúrgica com saída abundante de conteúdo hemato-purulento. A cultura do conteúdo drenado foi positiva, quatro semanas após a drenagem, para o complexoMycobacterium tuberculosis. Repetiu-se exame directo do conteúdo da loca, que se mantinha em drenagem espontânea, sendo este positivo. Pelo aspecto microscópico atípico, foi realizada identificação da espécie – Mycobacterium africanum. O Teste de Sensibilidade Antibiótica foi sensível a todos os antibacilares. O estudo sistémico revelou uma tuberculose activa disseminada com foco de osteomielite na região fronto-orbitária direita, conglomerado adenopático mediastínico, cardiomegália sem derrame pericárdico, hepatosplenomegália, escoliose por espondilodiscite e abcesso paravertebral; pesquisa de anticorpos para vírus da imunodeficiência humana, negativa. Após inicio de terapêutica antibacilar assistiu-se a uma regressão progressiva do edema e encerramento fibroso da fístula criada com a drenagem, induzindo retracção da pálpebra superior homolateral. Discussão e conclusão: Este caso clínico ilustra a grande diversidade de apresentações possíveis de tuberculose. O envolvimento dos tecidos moles é difícil de diagnosticar, sendo os achados imagiológicos pouco específicos. Neste caso, a drenagem cirúrgica com isolamento do agente foi essencial para o diagnóstico da doença sistémica, que caso contrário ter-se-ia mantido oculta, possibilitando disseminação ainda mais extensa e sequelas mais graves. O Mycobacterium africanum é uma espécie do complexo Mycobacterium tuberculosis com distribuição geográfica muito restrita à África Ocidental [2]. É responsável por quadros clínicos muito semelhantes, estando o M. africanum mais frequentemente associado a idades avançadas, VIH ou má nutrição [2]. Bibliografia [1] World Health Organization report 2011: global tuberculosis control. Organização Mundial de Saúde2011: 9-27; 186-210. [2] Puttick MPE, STEIN HB, CHAN RMT et al: Soft tissue tuberculosis: a series of 11 cases. The Journal of Rheumatology 1995; 22(7) 1321-5.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.10/1544
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