Psilogos Vol. 14 Nº1 (Jun 2016)
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- Obsessive Jealousy: A Case ReportPublication . Perestrelo, JM; Mota, D; Teixeira, BBackground: Jealousy is common between humans but can assume pathological characteristics. Aims: To report a case of obsessive jealousy and to review the concept and clinical features of the condition. Methods: A clinical cases of obsessive jealousy was obtained and a literature review of the theme was shortly surveyed. Results and Conclusions: The clinical case presents a man with morbid jealousy with obsessive features who was hospitalized after a suicide attempted. During his hospitalization he was medicated with fluvoxamine and clonazepam reporting a decrease of the ruminative thoughts and anxiety. A correct diagnosis of obsessive-compulsive disorder (OCD) and its differentiation from a delusion, obsessive or overvalued idea are essential for an adequate approach and treatment.
- Catatonia como Apresentação de Doença de CreutzfeldtJakob: Um Caso ClínicoPublication . Fernandes, I; Carneiro, S; Duarte, M; Rosa, AIntrodução: A catatonia é uma síndrome neuropsiquiátrica, classicamente associada à esquizofrenia, mas mais frequentemente relacionada com outras causas psiquiátricas, neurológicas e/ou metabólicas. Caso Clínico: Um homem de 61 anos foi internado no Serviço de Psiquiatria por catatonia de etiologia a esclarecer. O electroencefalograma revelou actividade periódica trifásica e a ressonância magnética crânio-encefálica revelou atrofia cortico-subcortical de predomínio frontal e temporal interno. O doente foi transferido para o Serviço de Neurologia por provável encefalopatia espongiforme, com a detecção de um aumento da proteína 14.3.3 no líquor cefalorraquidiano. O quadro clínico agravou-se com mioclonias plurisegmentares, episódios de desvio ocular e distonia, culminando no óbito ao fim de 5 semanas. O estudo anatomopatológico confirmou o diagnóstico de Doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica. Conclusões: Este caso reflecte a dificuldade no diagnóstico diferencial das doenças com sintomatologia neuropsiquiátrica, em particular da catatonia, e a importância da articulação e sinergismo multidisciplinar na Medicina.
- A Importância do Diagnóstico Diferencial de Encefalite Límbica Autoimune em Doentes com Sintomas NeuropsiquiátricosPublication . Gonçalves, AL; Venâncio, A; Sousa, GIntrodução: A encefalite límbica autoimune revela-se muitas vezes uma síndrome paraneoplásica que pode afetar o sistema nervoso central. Manifesta-se com alterações das fun- ções psicológicas e pode surgir apenas com sintomas psiquiátricos isolados. Frequentemente, o contacto inicial com estes doentes é realizado pelo psiquiatra. Deste modo, é essencial a consideração desta patologia como diagnóstico diferencial, visto a sua deteção e tratamento precoces melhorarem consideravelmente o prognóstico de vários tipos de neoplasias. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi abordar a encefalite límbica autoimune como diagnóstico diferencial em doentes com sintomas neuropsiquiátricos. Métodos: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica na base de dados PubMed com as seguintes palavras: limbic encephalitis, psychiatric. Resultados e Conclusão: A associação entre os diversos tipos de anticorpos e os diferentes quadros psiquiátricos é de destacar, revelando que os distúrbios paraneoplásicos fornecem, assim, exemplos específicos de como autoanticorpos podem afetar a função neuronal. A deteção e tratamento precoces desta patologia são essenciais. É ainda necessário realçar o papel das doenças autoimunes no conhecimento das doenças psiquiátricas em geral.
- A Temporalidade na EsquizofreniaPublication . Martins, JMIntrodução: A temporalidade é um elemento essencial e organizador da vivência do ser. É um elemento fundamental na coerência do self. Apesar da sua importância, é um tema relativamente pouco investigado, particularmente na esquizofrenia, onde tem sido sugerido que alterações da vivência do tempo podem ser fenómenos nucleares da psicopatologia na esquizofrenia. Objetivo: Com este trabalho pretende-se compreender de que forma as alterações na temporalidade podem estar relacionadas com a psicopatologia na esquizofrenia. Métodos: Foi efetuada uma revisão seletiva da literatura a partir da base de dados PubMed a partir do ano 2000, e posteriormente em textos clássicos de psicopatologia. Resultados e Conclusões: São distinguidos os constructos de tempo, tempo vivido e temporalidade. São descritas evidências e formuladas hipóteses da forma como as alterações da vivência do tempo poderão afetar os indivíduos com esquizofrenia. É apresentado o processo de síntese constitutiva de protensão-impressão-retenção, essencial à vivência do tempo implícito. Por fim, é demonstrado como uma falha neste processo pode afetar a vivência temporal da pessoa com esquizofrenia.
- Suicídio no Idoso – O Antecipar da MortePublication . Pedrosa, B; Duque, R; Martins, RIntrodução: Os pensamentos de morte são fenómenos comuns nos idosos, verificando-se que em diversos países o maior grupo de risco para o suicídio corresponde a essa faixa etá- ria. Para além da maior letalidade das tentativas de suicídio nos idosos, estes passam mais provavelmente ao acto, concretizando assim o suicídio. Reconhecem-se que são vários os factores que contribuem para o desenvolvimento de ideação suicida. Objectivos: A presente revisão visa analisar as características, os factores de risco e os programas de prevenção relacionados com o suicídio no idoso, de modo a alertar os vários técnicos de saúde para esta situação. Métodos: Foi realizada uma revisão bibliográfica no PubMed, utilizando as expressões “elderly”, “aging” e “suicide”. Foram ainda consultados relatórios das Nações Unidas e livro de texto. Resultados: O suicídio nos idosos apresenta uma etiologia multifactorial. Verifica-se que 46 a 86 % dos idosos que morrem por suicídio apresentavam perturbação afectiva nas semanas precedentes, nomeadamente depressão. Outros factores associados são um nível de escolaridade elevado, sexo masculino, ansiedade, características de personalidade obsessivas, fraca integração do idoso na sociedade, eventos adversos de vida, nomeadamente a morte do conjugue, e ainda, a presença de doença física ou disfunção neurocognitiva. Conclusões: Os programas de prevenção do suicídio no idoso não se devem focar apenas na presença de depressão, devendo ter em conta todos os factores discutidos, promovendo o aumento da resiliência do idoso, o envelhecimento positivo e o envolvimento da família e comunidade, além do controlo das comorbilidades médicas.
- Avaliação da Capacidade de Decisão em Psiquiatria de LigaçãoPublication . Vicente, F; Nascimento, M; Oliveira, C; Tomé, C; Vieira, C; Luis, AIntrodução: Entre as funções do psiquiatra de ligação, encontra-se a avaliação da capacidade de decidir. Esta envolve a capacidade de fazer escolhas de forma autónoma e surge de forma relevante na prática clínica diária como pré-condição ao consentimento informado. Objetivos: Os autores pretendem rever o processo subjacente à avaliação da capacidade de decisão, assim como outra informação relevante publicada a este respeito. Métodos: Revisão não sistemática da literatura através da pesquisa eletrónica nos motores de busca Medline/Pubmed. Resultados: A capacidade de decidir apenas pode ser avaliada relativamente a uma decisão em particular, sendo que o seu resultado não é necessariamente estável ao longo do tempo. Da mesma forma, não existe nenhum diagnóstico que permita concluir, por si só, pela incapacidade para decidir ou que possibilite prescindir da sua avaliação. Depende de vários fatores: conteúdo, forma do pensamento e funções cognitivas. Pode igualmente ser influenciada pelo nível de instrução do indivíduo, traços da personalidade, estados emocionais/mecanismos de coping ou fatores circunstanciais. Qualquer médico deverá estar habilitado para a realização desta avaliação. O psiquiatra de ligação deve ser envolvido perante a suspeita de doença mental capaz de prejudicar a capacidade de consentir ou perante a necessidade de validar uma avaliação já realizada. Appelbaum e Grisso propuseram uma avaliação sistematizada segundo os seguintes critérios: a) comunicação da escolha, b) compreensão, c) apreciação e d) processo de decisão racional/ raciocínio. Numa tentativa de minimizar diferenças entre avaliadores, foram desenvolvidos vários instrumentos de avaliação, entre os quais se destaca a MacArthur Competence Assessment Tool. Particularmente nos doentes com défice cognitivo, tem sido também utilizada o Mini Mental State Examination, surgindo propostas no sentido de correlacionar os scores obtidos com a presença de capacidade de decisão. Perante a incapacidade para decidir, deverá ser respeitado o melhor interesse do doente, sendo procurada uma “decisão de substituição”, no rigoroso respeito pela ética e pela lei. Conclusões: Um doente capaz de decidir deve apresentar: a) atenção focada no problema; b) capacidade de considerar as diferentes opções propostas; c) capacidade de avaliar os riscos e benefícios e d) capacidade de antecipar os seus possíveis resultados.
- Consumo de Psicoestimulantes no Meio Universitário – Aspetos Clínicos e BioéticosPublication . Pereira, S; Costa, AIntrodução: O consumo não-médico de psicoestimulantes tem aumentado de forma significativa nos últimos anos, verificando-se tal fenómeno também no meio académico. Objetivos: Neste artigo pretende-se analisar o padrão de consumo de psicoestimulantes na população universitária, bem como discutir questões clínicas e éticas associadas a esta problemática. Métodos: Para tal foi feito recurso ao que tem sido descrito na literatura sobre o tema. Resultados: Verificou-se que existe uma prevalência significativa de consumo não-médico de psicoestimulantes pelos universitários, sendo a principal fonte de obtenção os colegas, e que este é justificado, na maioria dos casos, pelo desejo de potenciar capacidades cognitivas. Este consumo associa-se a outros consumos recreativos, bem como a maiores níveis de stresse. Apesar da globalização deste fenómeno, não existe evidência conclusiva relativamente aos efeitos cognitivos dos psicoestimulantes, sendo que a maioria dos autores defende que existirá apenas um efeito cognitivo moderado e limitado a capacidades específicas, como a melhoria da memória de trabalho. O efeito motivacional associado ao consumo parece contribuir significativamente para a experiência do utilizador. Conclusões: Este consumo, intimamente relacionado com o fenómeno do neuroenhancement, levanta importantes problemas clínicos e éticos, destacando-se o risco de efeitos adversos, a necessidade de pensar o papel do médico neste fenómeno, e as questões relacionadas com a autonomia individual, o risco de coerção e de injustiça. O consumo não-médico de psicoestimulantes no meio académico é já uma realidade, pelo que se torna essencial estudá-la e compreendê-la, de forma a determinar os pontos mais fraturantes e propor soluções, numa tentativa de uniformizar normas de atuação.
- Consulta de Psicoimunologia – Um Estudo sobre ComorbilidadePublication . Marinho, M; Marques, J; Esteves, M; Roma-Torres, A; Bragança, MIntrodução: Os doentes VIH-positivos notificados apresentam taxas de prevalência superiores à população geral para a maioria das perturbações mentais, com valores atingindo os 30 a 60%. Objetivos: Caracterizar a população que é referenciada à consulta de Psiquiatria-Psicoimunologia; explorar a possível relação entre o diagnóstico psiquiátrico e as restantes variá- veis em estudo; assim como a possível associa- ção do tratamento antirretrovírico e da coinfe- ção pelo VHC com variáveis sociodemográficas e clínicas. Métodos: Selecionámos os doentes VIH-positivos referenciados pela primeira vez à consulta de Psiquiatria-Psicoimunologia, entre janeiro de 2012 e julho de 2015. A informação necessária acerca dos mesmos foi recolhida através do processo clínico em suporte informático. A análise estatística foi efetuada utilizando o programa de análise estatística Statistical Package for Social Sciences©, versão 20. Resultados: A amostra continha 209 doentes, com uma mediana de idades de 43 anos, maioritariamente homens, com quatro anos de escolaridade, solteiros, profissionalmente inativos, infetados via comportamento heterossexual. Porém, verificámos diferenças estatisticamente significativas entre sexos para as últimas três variáveis. A maior parte encontrava-se sob tratamento antirretrovírico, sem diferenças significativas entre sexos. Na primeira consulta, 29,0% e 30,1% apresentavam, respetivamente, consumo de substâncias e coinfeção pelo VHC, com predomínio significativo nos homens. Mais de metade tinha antecedentes psiquiátricos, e os sintomas depressivos e a perturbação de adaptação à doença constituíram, respetivamente, o motivo de referenciação e o diagnóstico psiquiátrico mais frequente, em ambos os sexos. A coinfecção pelo VHC correlacionou-se de forma estatisticamente significativa com as variáveis sexo, situação ocupacional, via de transmissão da infeção, história psiquiátrica e consumo de álcool e/ou drogas ilícitas. O mesmo aconteceu entre o diagnóstico psiquiátrico e as variáveis tempo de notificação da infeção, consumo de álcool e/ou drogas e coinfeção pelo VHC.Conclusões: Ao longo do curso da infeção, estes doentes deparam-se frequentemente com múltiplos stressores que podem torná-los mais vulneráveis ao adoecimento psíquico. A disponibilidade de uma assistência psiquiá- trica eficaz revela-se, portanto, crucial, sendo necessário o aumento de investigação futura nesta área.
- EditorialPublication . Maia, T